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12 de junho de 2008

espaço 2008


Aveiras, ao canto da mesa


A televisão acesa sem som que se ouça, cabeças viradas para cima com o café a arrefecer mais as palmas da mão assentes na mesa, quente e iluminada

É o Discovery, e o ecrã da televisão a barra vermelha em baixo com cientistas americanos esperam aterragem sem problemas. espaço.

O cajado assente ao queixo, como que a prender o maxilar,
Mas o que é que aqueles gajos andam a fazer lá em cima se isto está como está aqui em baixo?

28 de maio de 2008

Instituições de Solidariedade Social obrigadas a deitar comida fora

Quem conhece relativamente de perto o mundo das Instituições Particulares de Solidariedade Social sabe que, quando há bares ou refeitórios ao serviço dos utentes daqueles serviços sociais, a comida servida não é, como nunca poderia ser, caviar, lampreia ou arroz de tamboril. No entanto, a ASAE – dita Agência para a Segurança Alimentar e Económica, exige que, nas cozinhas das Instituições, hajam os mesmos requisitos que as de um restaurante (seja ou não de luxo) e deita fora toda a comida congelada em arcas normais pelo facto das Instituições não terem arcas de congelação ultra rápida.

Mais: proíbe as instituições de aceitar alimentos dados pelas populações.

É difícil (e é profundamente triste) comentar este tipo de aberrações, quando, acima de tudo, sabemos que as Instituições de Solidariedade Social, apesar de não serem todas iguais, lutam pelo bem-estar de pessoas que se não estivessem ali estavam na rua, ou não comiam ou estavam na morgue em fase de congelação ultra rápida (em túnel de congelação devidamente certificado).

É triste, imensamente triste e desumano: mas é preciso dizer estas coisas e argumentar duramente contra a falta de argumentos de alguns, refugiada em leis obsoletas, normalizadas e conversadas, muito provavelmente, em alegres jantaradas num desses restaurantes finos de Bruxelas e acabadas noutros restaurantes da baixa de Lisboa.

Segundo o Público de 17 de Maio, Sandra Santos, técnica da Associação Recreativa e Cultural de Óis da Ribeira, pergunta: Quando a ASAE manda fazer obras, quem é que as paga? Mais ainda, põe em questão o essencial: Quando as pessoas querem dar alfaces, ovos, isso não devia ser proibido.

fonte: publico.pt

1 de fevereiro de 2008


Pode escrever-se sobre mil e uma coisas, mas há coisas muito mais importantes que outras e que merecem, sem possibilidade alguma de discussão, ser reveladas. Ser gritadas.

No Haiti, país da região do Caribe, existiam, em 2006 e segundo dados do Banco Mundial, cerca 8,6 milhões de pessoas. Em 2005, a taxa de mortalidade infantil era de 8,3 em cada mil nados vivos com menos de um ano de idade e de 120 em cada mil nados vivos com menos de cinco anos de idade. Nesse mesmo ano, entre os 15 e os 49 anos – um ano a menos da esperança média de vida dos Haitianos, a taxa de prevalência de HIV situava-se nos 3,8%. Continuando, a título de curiosidade, quase mórbida: o tempo médio para se começar um negócio é de cerca de 203 dias.
Dados estatísticos sobre instrução primária, secundária ou outra: não existentes.

Charlene, 16 anos, mãe de um bebé com um mês, o Woodson, que nasceu com 2 quilos e pouco: Quando a minha mãe não cozinha nada, tenho que comê-las umas três vezes por dia. Mesmo assim, Agrada-me o sabor a manteiga e sal. Mas não sei, não sei, dão-me dores no estômago. Quando amamento e o bebé já as comeu, o bebé também me parece que fica com cólicas.

Cajeuñe, de 11 anos, mostra a língua, queimada por as comer quando tem que ser e que, por acaso, é quase sempre. Fico com a boca sequinha. Tira-me a fome.

São bolachas de LODO, confeccionadas com terra, sal e azeite vegetal, aquecidas nas terras tórridas daqueles solos e vendidas nas ruas.

No séc. XVII, o Haiti era a mais rica colónia francesa na América, graças ao café, ao açúcar e ao cacau. Hoje, é o País mais pobre da América Latina, onde, muito provavelmente, não se ouvirá falar, por exemplo, de Spina Bifida, de Hidrocefalia, de fortificação dos alimentos ou, quem sabe, de pessoas nos próximos três séculos.
imagem: esmas.com