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18 de junho de 2008

Genial. Ponto.

Não é costume pessoal indicar um lugar porque sim ou porque não, mas mais porque pode ser um lugar, um lugar onde se pode ficar, porque pode ser o lugar da diferença, ao largo de um mundo ainda tão igual.

Bem vindos ao inferno, aqui.

Take your time.

26 de maio de 2008

1 de abril de 2008

Untitled@2008


As minhas relações são estranhíssimas. Faço mais facilmente amizades com mulheres que com homens. Não sou como esses gajos da universidade, que só falam de mulheres. Ok, também olhos para as mulheres, mas não quero tudo o que vejo. Toda esta conversa homem/mulher assusta-me um bocado. Tenho 23 anos e ainda não sei o que é um encontro a dois ou o que seria dizer qualquer coisa como esta é a minha namorada. As minhas amigas dizem-me que um dia destes ainda vou encontrar alguém. Devo ter sido algum filho da mãe entre as mulheres na minha vida passada, e o meu karma vai-me perseguindo. Vejo-me bastante mais velho, e só, a vasculhar a pornografia toda.

O que é o amor? É quando já experimentaste tudo o que associas ao mundo? Já amei algumas mulheres, sempre a pensar nelas, sempre à espera de passar algum tempo com elas, sempre a pensar nas pequenas coisas que elas iam fazendo e no que poderíamos partilhar. Não marco encontros. Vou-me distraindo com elas. Quando começo a passar o meu tempo com uma mulher, a preocupar-me com ela, alguma coisa lá deve acontecer e torno-me no melhor amigo dela. Acho que relacionar aqui o Dan com o sexo é uma coisa para lá desta galáxia. No entanto, o que sinto pelas mulheres não muda quando nos tornamos os melhores dos amigos… Não sei muito bem o que isso possa significar…

Faço uma data de merdas supostamente românticas, jantares românticos, falar até doer até ao final da noite, vamos ao chinês, despejo garrafas de vinho e pomo-nos a ver filmes de terror como se não houvesse amanhã. Mas isso nunca me leva a lado nenhum. Mas, ao mesmo tempo, é uma coisa boa, uma coisa boa naquele momento. Depois penso: isto é normal, isto foi muito? Pá, penso muito. Acho que aquilo tudo, para a maioria das pessoas, dava em sexo. Podia continuar e continuar e insistia nesta coisa do ser romântico. Gostava de prová-lo, mas tenho sempre medo de meter água e estragar a bela da amizade. O que é o amor senão uma palavra de quatro letras? Há tantos sentidos para a palavra, uma palavra tão usada de tantas e tantas maneiras, de maneira tão livre…

Dan Keplinger, artista plástico

(Dan Keplinger nasceu em Baltimore, nos Estados Unidos da América. Tem 35 anos. Um site, e mais outro. Fez o argumento e foi protagonista de um documentário intitulado “King Gimp”, a alcunha pela qual gosta de se tratado. O filme ganhou o Óscar para melhor documentário de curta-metragem em 1999.)

texto: hbo.com/kinggimp (tradução livre)
foto: abm-medien.de

8 de fevereiro de 2008


Magdalena Carmen Frida kahlo y Calderón dispensa apresentações. Mexicana de origem, gostava de afirmar que a sua arte era o reflexo da sua vida, numa época – primeira metade do séc. XX - em que o hábito complicado (ainda hoje inacabado) de rotular a expressão das coisas e das pessoas teimosamente persistia.

Entre o desamor, a poliomielite, o acidente que a prendeu a um espartilho metálico, a impossibilidade de gerar filhos e a expressão vincada da incerteza sobre a sua própria vida, algumas descrições biográficas da artista referem a possibilidade de ter tido Spina Bifida. De certa forma, muitíssimo remota, sei, eu próprio, que tinha...

Frida Tinha um diário. A última nota no caderno dizia, ora grito ora gemido ora doce
Espero que la salida sea gozosa y espero nunca más volver. – Frida
Vem-me à memória uma praia, alguns pedaços de madeira em brasa e a lembrança e-terna de Vergílio Ferreira quando, em “Pensar”, a minha segunda Bíblia, referia como é que há gente que, à hora do morte, tem estas frases estupidamente belas...

fonte/imagem: ticcia.com (que vivamente recomendo...)

9 de janeiro de 2008

Palavras para quê? é um artista Canadiano.
Lazy Legz. Bboying fuckin' rulez...



video: youtube.com

29 de junho de 2007

A Spina Bifida, a Hidrocefalia e, de um modo genérico, a deficiência não valem, enquanto tema, por si só. Estamos confiados ao mundo e o mundo é a nossa situação. Julgo que antes de uma dor física, uma dor picante, existe, primordial e objectivamente, uma dor existencial, uma espécie de valor de preparação para a dor física, onde ela cabe e se afecta. Talvez por isso valha a pena falar do Mito de Pandora, uma história bela e sofisticada, eventualmente capaz de ajudar de alguém, algures, esteja onde estiver e onde se encontrar. Haja talento.

Por Zeus, Epimeteu foi incumbido de atribuir uma característica positiva a cada um dos animais. Quando chegou a altura de, como animal, dar uma característica ao homem, já nenhuma restava, porque o irmão de Epimeteu, Prometeu, demorou demasiado tempo a criá-lo. Por já não saber o que fazer e achar que o homem seria uma criatura superior a todas as outras, Prometeu entendeu que a seu irmão, Epimeteu, apenas restaria isto: atribuir uma característica ao homem que mais nenhum animal possuísse. Do Monte Olimpo, Prometeu roubou, assim, o fogo, e Epimeteu atribuiu-o à criatura humana.

Zeus não gostou, é bom de ver. Ninguém gosta que lhe cortem a luz. Enraivecido, aprisionou Prometeu, acorrentando-o e fazendo que com uma águia, todos os dias, comesse um pouco do seu fígado. Como Prometeu era um titã imortal, o seu fígado, mesmo assim, crescia. Mas a dor, insuportável, atormentava-o. Foi, entretanto, libertado.

Não satisfeito, Zeus tinha de castigar a humanidade. Criou a mulher, sob a forma de Pandora, que significa “aquela que recebe todas as dádivas”. Pandora tinha um pouco de tudo: Hefesto moldou-a do barro e deu-lhe forma; Atena vestiu-a; Afrodite concedeu-lhe a beleza; Apolo transmitiu-lhe talento musical e o dom de curar; Demétrio ensinou-a a jardinar; Poseidon deu-lhe um colar de pérolas e a capacidade de nunca se afogar; Hera deu-lhe a curiosidade e Hermes atribuiu-lhe a formosura e o charme.

Pandora, aquela que de todos recebeu. Mas a melhor de todas as dádivas foi uma jarra, que lhe foi concedida por Zeus.

Antes de ter sido acorrentado por Zeus, Prometeu foi avisado pelo seu irmão para ter cuidado com qualquer dádiva dos deuses. No entanto, já liberto das garras da águia, apaixonou-se por Pandora e casou com ela. Hermes avisou Epimeteu que Pandora era uma espécie de presente envenenado de Zeus a Prometeu. Disse-lhe ainda para avisar Pandora que nunca abrisse a jarra que Zeus lhe tinha oferecido.

Mas Pandora não resistiu. Abriu a jarra. Uma vez aberta, Pandora tratou de a fechar o mais rápido que pôde, mas dela já se tinham libertado os males do mundo – antes, um mundo fértil e pacífico. Apenas algo restou no fundo da jarra: a capacidade de prever o futuro, que trouxe, entretanto, a esperança, em tempos difíceis, às sociedades vindouras.

pesquisa: wikipedia
imagem: Pandora, por Jules Joseph Lefebvre (1836-1911), óleo em tela, 1882

25 de junho de 2007

Ainda o post de 28 de Maio, sobre Al Davison, artista plástico com Spina Bifida: um pequeno documentário acerca daquilo que tem feito, da forma como o faz, da sua relação com a arte e com as pessoas e das actividades na sua galeria, Astral Gypsy.

Repare-se na forma muito subtil como parece estar leve, como se para lá da matéria.


Fonte: Youtube

28 de maio de 2007







Em primeiro lugar, o meu trabalho é baseado no fascínio que tenho pela forma humana, e como a sua percepção é transformada em sonho - o que me liga ao meu interesse pelas representações da deficiência na arte figurativa e nos media. Tenho interesse em casar a vontade consciente à inspiração subconsciente, tanto pela forma como pela técnica. Trabalho sob uma variedade de suportes, como: banda desenhada, pintura, carvão, lápis de cores, aguarela, filme, arte digital e fotografia (por photoshop, painter e Illustrator, essencialmente).

Al Davison. Nasceu em 1960, em Newscastle, no Reino Unido. Mora em Coventry. Casado, é dono de uma galeria de arte, Astral Gypsy, que define como uma janela para a arte da imaginação.

Tem Spina Bifida.

imagens: Al Davison, Life study of Louise, 1984 (aprox.), lápis e tinta em papel, 42 x 29.7 (à esquerda), e clubfoot, 2005, acrílico em tela, 42x29.7 (à direita), aqui

9 de maio de 2007

Riva Lehrer é uma pintora norte-americana nascida em 1958, em Cincinnati, que foi adquirindo notoriedade pública nos Estados Unidos. É, hoje, uma das artistas mais promissoras da sua geração. Tem Spina Bifida. O seu trabalho é definido pela própria desta forma verdadeiramente singular

O corpo é a primeira história, o nosso primeiro texto. Eu vejo-te, tu vês-me,
pele, ossos, olhos, cabelo: como o fio de água que desagua lentamente no rio.
Repara nos milhares de representações de sexo, nação, dinheiro, pistas dirigidas
tanto ao que nos é familiar como àquilo que não nos é. Lemos e decidimos tudo
num piscar de olhos. Quando ossos e sangue nos mostram formas que nos não são
familiares, os juízos que fazemos instalam um muro primordial, rígido entre mim
e ti. Pinta a história da tua superfície e dos teus ossos explicitamente,
inevitavelmente, e pergunta a ti próprio o que temias antes e o que, agora,
pensas de ti


O seu trabalho pode ser conhecido, de uma forma rápida, no seu site.

imagem: Riva Lehrer, Pattern, 1995 (acrílico em painel)