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11 de março de 2008


Não há nada mais democrático neste mundo que o Lidl: uma cadeia de lojas alemã criada no início dos anos 30, hoje espalhada por quase todos os países da Europa.

E nada há de mais pitoresco que os panfletos do Lidl: entre Kant, Sartre ou Camus, a publicidade ao Lidl é estupidamente mais interessante que qualquer obra-prima da Literatura. De fazer roer de inveja e frustração os intelectuais do marketing contemporâneo, aqueles folhetos atafulhados na caixa do correio são germanicamente imbatíveis - mesmo perante a literatura inclusa do Ducolax ou do Mucinum ou de outros clássicos da pharmacia.

Além disso, o Lidl traz-nos, na maior parte das vezes, coisas úteis, coisas que nós queremos. Mesmo que não as queiramos pouco antes de passar aquelas portas, aqueles corredores, uma vez pisados, apelam ao nosso desejo de querer coisas que possamos não querer naquela altura mas de que, mais tarde, iremos precisar. Mais do que isso: de que iremos fazer depender a nossa existência.

O Lidl é a nossa consciência azul e amarela. É por isso que se dá ao luxo de vender, por exemplo, um protector de coluna para motociclistas. Tem área do cóccix prolongada, cinta na cintura com peça de protecção para os rins (pode ser vendida separadamente), correias de ombro ajustáveis e – e agora é que é! – Respiração activa. As parecenças entre o motociclista e uma tartaruga ninja são as possíveis...

Tudo isto por €39, mais coisa menos coisa o preço do transporte de um acidentado com uma lesão vertebro-medular ao hospital mais próximo (caso ainda existam).

imagem: lidl.pt (adapt.)

6 de fevereiro de 2008


sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008, 23 horas, 58 minutos, 42 segundos. cumplicidades. um carnaval. ou o que fica por detrás da foto, decimal, solto num momento pelo escape do carro dos pais, que o levaram de fim-de-semana.
volta depois. é meu amigo.

21 de dezembro de 2007



O filho de Pilar e Daniel foi baptizado à beira-mar.

E no baptizado, ensinaram-lhe o que é sagrado.

Recebeu um caracol.

- Para que aprendas a amar a água.

Abriram a gaiola de um pássaro preso:

- Para que aprendas a amar o ar.

Deram-lhe uma flor de gerânio:

- Para que aprendas a amar a terra.

E deram-lhe também
uma garrafinha com tampa:

- Não abras nunca, nunca.

Para aprender a amar o mistério.



in 'As Palavras Andantes', de Eduardo Galean


8 de outubro de 2007


Foto: 15 de Setembro de 2007, Sintra, 17 horas, 48 minutos, 34 segundos, pela lente do telemóvel. Pensei colocá-la aqui quando (me) fizesse sentido – isto é, quando conseguisse um contexto, mesmo que por intermédio de uma outra imagem - relativo ao que vivi quando senti o ruído ultraleve daquelas flores de pedras por cima das ideias. A descer, uma cadeira de rodas pode ter um coração, pode ser uma peça de vestuário, um extensão do corpo, uma forma de vida com um coração. Como se ali houvessem dois corações num mesmo corpo, não necessariamente em uníssono, ou então aprumados em ritmo pautado por outro : um terceiro coração.

30 de agosto de 2007


27 de Maio, a eterna Lisboa,ao largo do Padrão dos Descobrimentos, 17 horas, 14 minutos, entre o 22º e o 23º segundo do tempo. A luz que eu queria e consegui ter, por superação.

31 de julho de 2007


Açucena, 5 anos de gente, a miúda mais bonita do almoço comemorativo dos 30 anos da ASBIHP. Abriu o bolo de aniversário. Agradeço a ela, aos pais (que autorizaram a publicação da foto) e à Sandra Reis, sempre despachada, incansável na forma como me fez chegar a imagem a tempo e horas. E aos tipos que inventaram o photoshop. Venham mais 30.