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14 de julho de 2008

Sexualidade e Spina Bifida


Algo muito bom
: Autora de um blog a que, em tempos, já aqui fiz referência e que considero, na sua qualidade, ser um dos melhores que conheço, Ana Garrett, Investigadora (naquilo que de melhor o termo possa conter), publicou Sexualidade Nas Lesões Medulares Congénitas: Spina Bifida.

Aqui, em Depois do Trauma, são focados aspectos essenciais do que é viver com Spina Bifida experimentando aquilo que, porventura, será a mais humana das características: a sexualidade. O estudo está feito, em Português, com clareza e objectividade absolutamente extraordinárias, mas acima, com elevada utilidade também para quem, alguma vez, já se terá sentido sozinh@ nestas coisas de viver com o corpo e a alma ao mesmo tempo.

Pessoalmente, quero agradecer não só a Ana Garret, pelo excelente trabalho desenvolvido, mas como a a7, pela sugestão de real valor.

Imagem: judgement, SpiralEyes (Robyn Breen / Camella Grace)

10 de abril de 2008

Como prevenir a deficiência com um dedo



Não se trata de atingir a santidade nas estradas portuguesas.
Não se trata de alcançar o nirvana, não se trata de cumprir regras obsoletas nem de consumar um desejo secreto de beatificação rodoviária. Trata-se de um gesto simples, capaz de ser feito por quem já tenha vindo de origem com o polegar oponível. Trata-se de fazer o sinal de mudança de direcção: o pisca.

O Fábio, um amigo, pessoa muito inteligente e com um sentido de humor sobrenatural (é capaz de dizer cerca 27 disparates em 34 segundos, o que já perfaz a excelente média – que eu avidamente invejo e almejo - de 1,25 disparates por segundo), sugeriu algo realmente simples e, acho eu, bastante eficaz: a quem não gosta ou não lhe apetece fazer o pisca, porque não usar o modo – completamente automático e incapaz de atrapalhar o condutor mais interessado na paisagem – dos 4 piscas?

Um condutor em sinal de emergência é sempre um condutor prudente. Para além de ser uma técnica muito fácil de aprender e afastar o operador de automóvel do mais cavernoso dos trânsitos, mostra alguma preocupação pelos outros condutores, que decerto adivinharão desde logo uma possível mudança de direcção do veículo que, digamos assim, o senhor ou a senhora vão tentando manobrar.

Não se trata de procurar a beatificação. Trata-se, por exemplo, de evitar uma lesão vértebro-medular, a perda de sensibilidade (nas pernas, nos braços, na vagina ou no pénis), a incontinência de fezes e urina, a imobilidade parcial ou total, a depressão.

Ou o luto.

imagem: globoesporte.com

11 de março de 2008


Não há nada mais democrático neste mundo que o Lidl: uma cadeia de lojas alemã criada no início dos anos 30, hoje espalhada por quase todos os países da Europa.

E nada há de mais pitoresco que os panfletos do Lidl: entre Kant, Sartre ou Camus, a publicidade ao Lidl é estupidamente mais interessante que qualquer obra-prima da Literatura. De fazer roer de inveja e frustração os intelectuais do marketing contemporâneo, aqueles folhetos atafulhados na caixa do correio são germanicamente imbatíveis - mesmo perante a literatura inclusa do Ducolax ou do Mucinum ou de outros clássicos da pharmacia.

Além disso, o Lidl traz-nos, na maior parte das vezes, coisas úteis, coisas que nós queremos. Mesmo que não as queiramos pouco antes de passar aquelas portas, aqueles corredores, uma vez pisados, apelam ao nosso desejo de querer coisas que possamos não querer naquela altura mas de que, mais tarde, iremos precisar. Mais do que isso: de que iremos fazer depender a nossa existência.

O Lidl é a nossa consciência azul e amarela. É por isso que se dá ao luxo de vender, por exemplo, um protector de coluna para motociclistas. Tem área do cóccix prolongada, cinta na cintura com peça de protecção para os rins (pode ser vendida separadamente), correias de ombro ajustáveis e – e agora é que é! – Respiração activa. As parecenças entre o motociclista e uma tartaruga ninja são as possíveis...

Tudo isto por €39, mais coisa menos coisa o preço do transporte de um acidentado com uma lesão vertebro-medular ao hospital mais próximo (caso ainda existam).

imagem: lidl.pt (adapt.)

3 de setembro de 2007


Mais pesquisa, mais informação, mais possibilidades: a partir de Depois do Trauma, um blog extraordinariamente útil acerca da qualidade vida e da sexualidade das pessoas com lesões vértebro-medulares, podemos consultar um documento proveniente de um estudo - targeting recovery: implications for spinal cord injury research -, elaborado em 2004, por Kim Anderson, Professora Assistente do Departamento de Neurocirurgia do Centro de Pesquisa Reeve-Irvine da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos.

Quadriplégica (por acidente de viação), elaborou um documento que teve por finalidade, num total de 681 respostas a perguntas (feitas pelas mais variadas formas de comunicação) à comunidade de pessoas com lesões vertebro-medulares, aferir o que é e o que não é mais importante do ponto de vista das suas capacidades físicas e daquilo que deve ser o objecto de pesquisa científica nesta área.

As respostas estão aqui e, embora possa não ser objectivo, quero dizer que são interessantíssimas.

Apenas um exemplo: o estudo é feito com base em duas populações distintas – as pessoas com paraplegia e as pessoas com quadriplegia. Tanto para umas como para outras, à cabeça daquilo que é mais importante na sua vida do ponto de vista de uma eventual recuperação, está, sem qualquer margem para dúvida, a função sexual.

Nada que espante, por um lado. Nada que não deva se falado por todos, por outro.

11 de junho de 2007


Embora estas coisas um pouco... digamos, específicas (no pior sentido da palavra) me sejam, normalmente, motivo de desconfiança congénita (e, por vezes, posterior desilusão) encontrei, por obra da autora de um blog interessantíssimo, intitulado Depois do Trauma, acerca da sexualidade na lesão vértebro-medular, um folheto – um documento que pretende ser um guia de boas prácticas para com as pessoas com deficiência.

A pretensão é, no mínimo, discutível; mas a ideia é, com toda a certeza, muito boa e o documento deve, julgo, ser lido com toda a seriedade. Brincando um pouco... far-nos-ia mal se, enquanto lesionados, também o lêssemos? :-)

Está aqui, em Inglês. Se preferirem o Castelhano, aqui. Com as devidas permissões porque não, um destes dias, passá-lo para língua portuguesa?

Imagem: integra o Guia referido, aqui.