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11 de julho de 2008

Inveja das pessoas com deficiência


Na revista “Sábado” de hoje, 11 de Julho, ficámos a descobrir que 23% dos habitantes de Lisboa não se importam de estacionar os seus automóveis em lugares exclusivamente destinados a pessoas com deficiência.

Foi, portanto, descoberta a Verdade.

3 de julho de 2008

praia quase acessível


A Lista das praias acessíveis em 2008 está aqui. Mas, por outro lado, sabe-se que o processo de atribuição do galardão de praia acessível (Lista das praias candidatas ao galardão de Praia Acessível em 2008, cujo processo de confirmação está a decorrer, aqui, no Instituto Nacional de Reabilitação) está ainda a decorrer, não vá o processo continuar a decorrer e já ter encerrado a época balnear...


Eu aposto, como ainda acredito no Pai Natal, que o processo estará terminado até ao final de Agosto. Aceitam-se mais apostas. E será que não podemos votar? Deviam abrir uma ou duas linhas telefónicas para isto...

23 de maio de 2008

viajar sem deficiência


A quem ainda, e depois disto, apetecer viajar como se exercesse o direito à livre circulação no espaço europeu:

No portal de Direito da União Europeia, um dossier sobre Viajar com Deficiência. Regulamentos, Pareceres, Directivas e Resoluções, documentos que, na sua maioria, não foram ainda transpostos para as leis nacionais. Outras possibilidades de ser.

22 de maio de 2008

Combustíveis vs. Mobilidade


Há isenção ou redução de impostos como o IVA e o ISV: Mesmo assim, poucas pessoas com deficiência podem, aqui onde vamos (sobre)vivendo, comprar automóvel, embora outras pessoas não percebam isto e, igualmente, não percebam a razão pela qual há, nestes casos, isenção ou redução de impostos. É pelo facto mais óbvio do mundo: não há transportes acessíveis, como não há acessibilidade até e para os transportes.

Tanto aquelas pessoas com deficiência motora que ainda o vão podendo fazer como aquelas que, com mais ou menos esforço, vão utilizando os transportes públicos, sentem na pele o que é a constante subida do preço dos combustíveis. Não é só passar pela bomba e sentir que o depósito está quase na mesma depois de abastecer; é sentir o que é ter que empregar uma boa parte do ordenado – para quem se dá ao luxo de trabalhar - na compra do passe social ou numa data de cartões inúteis infinitamente recarregáveis e desmagnetizados.

Para as pessoas com mobilidade reduzida, o preço da gasolina e do gasóleo é sempre o mesmo: só que vai crescendo. Às vezes, compra-se a máquina ou a forma de usar a máquina; mas a forma de a alimentar é cara para todos, mesmo que alguns estejam dependentes da máquina: quanto mais não seja, os tais da mobilidade reduzida.

Coloquei, à coluna esquerda do blog, um indicador diário dos preços médios do combustível, via maisgasolina.com. Não resolve o problema, mas pode servir para pôr a pensar porque o raio num blog deste género está um indicador diário do preço dos combustíveis.

Ao menos isso.


imagem: via um dos que, muito provavelmente, são dos melhores sites do mundo - www.bloodforoil.org

24 de abril de 2008

26 de Abril


34 anos depois, Helena continua presa na sua torre de marfim. É num dos lugares mais conhecidos da velha Lisboa, a cidade das hortas, das luzes amarelas incandescentes a girar no brilho da noite, do trânsito e das pombas pousadas nos beirais. Da rotunda do Marquês, uma espécie de metáfora do mundo: e se alguém morresse às voltas na rotunda, à procura do Marquês, de si, de um caminho?

Como escondida no cavalo de Tróia, Helena em Lisboa, numa casa velha, de fachada rosada, presa em si própria por não poder descer à rua. Por não poder descer a rua. A explicação, surrealista, dá conta das vontades de um senhor feudal – o seu senhorio – que entende que a colocação de um elevador no exterior do prédio que a faça descer do seu pedestal de rodas prejudica a imagem do prédio: a imagem, o prédio, um lugar que se quer parado no tempo para poder parecer bem a quem passa. Não se pára o trânsito, que assim não pára, ou pára mal.

Lá em baixo, o olhar de Helena – o olhar lindo lá da banda - está na chuva que desce a calçada e se esgueira pela berma do passeio, a dar com a Ajuda, o Calvário, a 24 de Julho e o Tejo final.

34 anos depois, Helena está presa dentro de si própria. Outras Helenas, noutras ruas, noutras cidades, encontram olhares umas nas outras, como se pressentissem a Liberdade.

34 anos depois, uma liberdade ainda e só pressentida.


imagem: geckoandlfy.com (adapt.)

12 de fevereiro de 2008

Em 2006, a Comissão Europeia promoveu a iniciativa de lançar um Livro Verde sobre os Transportes Urbanos. A consulta pública acerca desta iniciativa, segundo o Instituto Nacional de Reabilitação, começou em 2007. Foi, ainda segundo este Instituto, ampla. Realizaram-se duas conferências, quatro workshops e uma consulta pública pela internet.

No sentido de uma mobilidade urbana melhor e sustentável, foram traçadas as vias fundamentais do Livro Verde sobre os Transportes Urbanos. O público-alvo são, por exemplo, os utilizadores de transportes urbanos (!) e associações.

Agora, a consulta pública pode ser continuada por contacto com a Comissão Europeia, até ao dia 15 de Março de 2008. Os endereços, postal e electrónico, para onde podem ser enviadas propostas é

Comissão Europeia
Direcção -Geral da Energia e dos Transportes
Clean Transport and Urban Transport Unit
(DM28 02/64)
200, rue de la Loi
B-1049 Bruxelles

E-mail:
tren-urbantransport@ec.europa.eu

A minha proposta, posso dizê-lo, será relativamente simples: tornar, aqui onde vamos pernoitando, os transportes públicos acessíveis a pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

E a sua?

fonte: INR

11 de fevereiro de 2008


Temos uma ideia acerca daquilo que são ortóteses e do que representam no imaginário infantil e juvenil das pessoas com deficiência: uma sombra no destino, especialmente no que toca a possíveis relacionamentos. No nosso inconsciente, sempre preocupado, despir aquilo demorará uns dias, tempo suficiente para acabar com uma relação que, entretanto, nunca mais começa.

Quando o médico nos fala em ortóteses longas, a situação piora drasticamente, como se a vida se escoasse por aquela sentença clínica.

O Departamento de Ortopedia Cirúrgica da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, não acabou com este pesadelo (por vezes, mesmo necessário). Pessoas com Spina Bifida e com mobilidade consideravelmente reduzida participaram num estudo, levado a cabo por investigadores desse centro, cujo objectivo era testar a capacidade, de forma geral, de ortóteses longas feitas em fibra de carbono, substancialmente mais leves mas, de outro modo, de igual resistência à das clássicas ortóteses longas, de fivelas de couro castanho amarelado e ferro frio.

Em Portugal, é impensável pensarmos muito nestas coisas e, porque não dizê-lo?, quase utópico vê-las disponíveis enquanto ajudas técnicas. Se com as clássicas ortóteses se sabe como é...

Mas vale sempre a pena sonhar. Sem aparente necessidade de fivelas e metal pesado, a maleabilidade destas ortóteses é suficiente para corrigir a postura e ajudar à mobilidade de algumas pessoas (devidamente analisada, do ponto de vista clínico, a necessidade do uso destas coisas).

A foto não é a das melhores (há muito ainda por testar), mas dá, penso, uma ideia do que falo.

4 de janeiro de 2008


O novo Centro de saúde de Gouveia, concluído há cerca de um ano e prometida a sua abertura até ao final de 2007, ainda não está a funcionar. A razão prende-se, segundo informação oficial, com dificuldades técnicas na construção do edifício que levaram a que sofresse, agora, infiltrações.

Custou, por enquanto, €3.000.000 (três milhões de euros).

Enquanto isso...

Albertina Marques Fernandes, de 85 anos de idade, de Albergaria-a-Velha, faleceu no dia 2 de Janeiro deste ano, por, alegadamente, não ter sido devidamente atendida nas Urgências do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro. Com dificuldades respiratórias, esperou 4 (quatro) horas numa maca, num corredor, para ser assistida nas Urgências deste Hospital. Os médicos da unidade afirmam haver sobrelotação deste serviço.

Albergaria-a-Velha dista 25 km de Aveiro.

As Urgências do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, sobrelotadas, distam cerca de 110 km, pela A25, do novo Centro de saúde de Gouveia. Por abrir.

imagem: universal.pt (adapt.)

5 de dezembro de 2007


O Governo Português demonstra intenção em criar um imposto (dito ecológico) sobre a utilização de sacos de plástico nas superfícies comerciais. Sem fazer quaisquer distinções entre que superfícies comerciais, independentemente da sua extensão, devem fazer aplicar esta taxa, faz uma dupla cobrança de um imposto, igualmente dito ecológico, da utilização desta forma de transportes de bens.

Sem querer questionar a importância e o impacto que uma medida destas possa ter na redução da poluição, pergunto se não faria mais sentido criar formas de transporte alternativas dos bens que poluíssem menos e fossem efectivamente recicláveis. Não seria, por outro lado, e sendo realmente necessário, proibir a utilização de sacos de plástico poluentes?

O tão proclamado princípio do poluente pagador parece, neste caso, servir interesses meramente lucrativos.

Porquê, neste contexto, escrever sobre isto? Quando vou às compras (as pessoas com deficiência também vão às compras) utilizo um número eventualmente significativo de sacos de plástico como forma de arrumar, distinguir e repartir a carga. Se o Governo Português, com este diploma, pretende que transporte a carga, por exemplo, na base do crânio, terá, nesse caso, de promover um sistema de saúde ainda mais eficaz do que o que já existe e, ainda assim, apostar na divulgação de uma ajuda técnica que me permita, a mim e a outros, tal proeza circense.

Feitas as contas desta forma, pagarei com todo o gosto os cinco cêntimos por saco de plástico que ajudarão, digamos assim, o executivo a fazer outro tipo de contas. Pagaria ainda com mais gosto este pseudo imposto ecológico se alguém que, recentemente, na Austrália, foi descoberta uma tecnologia que permite utilizar sacos de plástico no fabrico de aço. Cito o publico.pt de 14 de Novembro deste ano: “’O plástico é apenas outra forma de carbono’, explicou o especialista em materiais da Universidade de New South Wales, Veena Sahajwalla. ‘Na produção de aço, não há diferença entre o polietileno de sacos de plásticos, embalagens ou recipientes de bebidas, já que são tão naturais como o carvão’, acrescentou.”

Fonte: publico.pt
Imagem: captainpao.com

12 de outubro de 2007


Em Barcelos, na localidade de Vila Frescainha S. Pedro, existe uma Escola Básica – a EB1 de Paço Velho. Nove alunos com deficiência integram essa escola. Estas nove pessoas, algumas delas com deficiência severa, abandonaram, há cerca de um ano atrás, uma outra escola – a António Fogaça -, no centro de Barcelos, pelo facto de já estar bem classificada no ranking de escolas do Ministério da Educação e por possuir transporte grátis para o ATL (actividades de tempos livres). Tudo coisa séria, portanto.

Estes alunos, os alunos com deficiência da EB1 de Paço Velho, saíram de uma escola onde já tinha sido construída, por exemplo, uma rampa de 24 mil Euros – a tal escola já bem cotada nessa coisa do ranking. Cá para mim, que bem sei disto, este custo deveria, desde logo, sugerir uma saída em altura - e por propulsão - da própria escola, quiçá para os largar em órbita lunar.

Agora na nova escola, que não deve ser mosteiro, estas pessoas vão poder dedicar-se em pleno à meditação. Senão vejamos:

. impossibilidade de usar o recreio devido aos degraus

. entrada para carros bloqueada. Refeitório - que serve para as aulas da manhã – com talheres de refeição por ensacar e guardados em gavetas de madeira

. ausência de duas tarefeiras em simultâneo

. falta de armazém para material ortopédico

. WC específico sem porta – não vá o diabo tecê-las, acrescento eu -, sem área de manobra para cadeira de rodas e com fraldário com apenas um metro de comprimento

. em complemento, extintor situado imediatamente acima desse equipamento – chamemo-lhe assim, acrescento eu

A DREN (Direcção Regional de Educação do Norte) e a Câmara Municipal de Barcelos reconhecem que sim, que assim é difícil. Lá para Dezembro, dizem eles, isto ainda muda.

E nós sabemos todos muito bem que sim, que vai mudando...


Fonte: Diário de Notícias, aqui
imagem:
branea.ro (adapt.)

4 de outubro de 2007


Há uns anos atrás, numa conferência sobre a Cidade (neste caso, Lisboa) e o tema (importantíssimo, embora normalmente esquecido) sobre a mobilidade, focou-se o tema da acessibilidade: a circulação das pessoas com deficiência parecia, aos olhos de muitos, difícil. Para isso, uma das explicações encontradas para tal apontava para algo pouco contornável e, por isso, interessante a quem tem que tomar decisões nesta área: a geografia da cidade, com intermináveis subidas e descidas, de calçada típica e infinitas obras de melhoramento, não tornava, digamos assim, aconselhável a circulação sem motor a pessoas com mobilidade reduzida. Lisboa, a das sete colinas, era, por isso, a única responsável por esta situação.

Ao terceiro dia, numa conversa de elevador, um arquitecto recém-formado (cujo nome, infelizmente, não recordo) discutiu comigo a possibilidade de se alterar o logótipo da pessoa com deficiência para algo mais apelativo, menos sério, menos oficial - no pior sentido do termo – e, acima de tudo, capaz de chamar a atenção das pessoas, as únicas capazes de alterar a geografia lisboeta.

Prolongou, depois, a nossa conversa, no debate sobre as conclusões daquela conferência – foi, no entanto, extremamente mal recebido (não só a ideia como ele próprio) quando sugeriu o que tínhamos abordado. Mal recebido não só porque quem mandava mas mal recebido, sobretudo e vergonha e das vergonhas, pelas próprias pessoas com deficiência ali presentes (poucas e, a meu ver, como quase sempre nestas coisas, absolutamente nada representativas do interesse geral).

Ainda hoje penso nisso, perdido o contacto com aquele arquitecto, que nunca mais vi e cujo cartão estará definitivamente perdido na amálgama kafkiana que foi e continua a ser a minha carteira. A quem, da arquitectura ou do design ou simplesmente da boa vontade, quiser continuar esta ideia, sabe que eu estou aqui, pronto para dar a ajuda que puder.

nota: um agradecimento justo e muito especial á Cris, pela ideia da trança. Ela sabe que eu sei que ela sabe...

27 de setembro de 2007



“bloggging for a cause” – em lingua Portuguesa, qualquer coisa como fazer blogs defendendo uma causa – é uma iniciativa que reunirá hoje milhares de bloggers no mundo inteiro. Organizada quase espontaneamente e sem grandes linhas de orientação (aquilo a que eu chamaria, na mais fácil das hipóteses, democraticamente), pretende dar a conhecer blogs que defendam uma causa.

Pode não ter a expressão que deveria ter, mas que se dane. Como acredito em causas – senão estaria, neste momento, a fazer outra coisa qualquer – e como sei que, escrevendo e comunicando, podemos mudar as coisas (nem que seja apenas e só a expressão das coisas), escrevo hoje este post, na medida em que acredito que é possível melhorar a qualidade de vida das pessoas com deficiência, garantir o seu direito à informação e promover, na medida do aceitável, o acesso a todo e qualquer lugar, entre muitas outras coisas.

Mesmo que a nossa principal mobilidade seja a mobilidade de espírito, até essa, de alguma forma, precisa de ser incentivada. É por isso que ainda aqui estou, tentando chegar ao mundo.

Até já.

24 de setembro de 2007

O Prémio Braun, instituído em 1968, tornou-se a primeira competição internacional Alemã com o fim de promover o trabalho de jovens designer. Tem, ainda hoje, por objectivo fundamental realçar a importância do design industrial e promover, pelo mundo fora, o desenvolvimento de ideias inovadoras que possam dar à origem à produção, devidamente regulada, de objectos interessantes e funcionais.

Em 2007, a exibição dos produtos a concurso relativos a este prémio está patente, de 13 a 28 de Setembro, aquando da entrega do referido Prémio, em Kronberg, na Alemanha. Nesta cidade, foi já decidido que o primeiro prémio vai ser entregue a Donn Koh, um designer de Singapura, por ter criado um objecto deveras interessante – e útil: o Leapfrog.

O Leapfrog, uma espécie de andarilho multi-funções, é um objecto criado a pensar na habilitação motora dos miúdos com Poliomielite ou Spina Bífida. Ao promover apoio e a facilitar as mudanças de direcção, a intenção de movimento e o equilíbrio e a sustentar as mudanças bruscas de posição das crianças com dificuldades motoras (por exemplo, com a ajuda deste objecto, parece ser mais fácil sentar e levantar e voltar a sentar), o Leapfrog melhora o desenvolvimento equilibrado e a confiança destes miúdos. Este objecto pode ser regulado conforme a idade, o peso e o grau de desenvolvimento psicomotor da criança.

O Prémio Braun, não especialmente vocacionado para avaliar e premiar objectos específicos para as pessoas com deficiência, recebeu 903 propostas de avaliação de utensílios de vários tipos, materiais e para várias funções, vindas de 50 países. Ganhou Donn. Segundo Peter Schneider, Presidente do Júri do Concurso e Director de Design da Braun, empresa Alemã de criação e fabrico de utensílios domésticos, o Júri ficou impressionado com a versatilidade do objecto premiado e com as possibilidades do Leapfrog, enquanto instrumento lúdico e terapêutico, poder ser utilizado por pessoas com deficiências aparentemente muito diferentes.

Fonte: medicalnewstoday.com

26 de julho de 2007


Nível da Lesão. Efeitos na mobilidade. Possibilidades.


T12 (e acima) – Uso de ortóteses no sentido de andar pequenas distâncias, uso de canadianas ou andarilho para percorrer distâncias mais longas; possível uso de cadeira de rodas, mesmo em idades menos avançadas


L1-L3 - possível uso de ortóteses longas, canadianas, cadeira de rodas para distâncias mais longas


L4 – possível uso de ortóteses longas (acima do joelho), canadianas, cadeira de rodas em idade avançada


S-L5 – marcha autónoma, possível uso de ortóteses curtas, canadianas ou andarilho