14 de fevereiro de 2008



O que Pedro diz sobre Paulo informa muito mais sobre Pedro do que sobre Paulo.
Carl Jung

13 de fevereiro de 2008



Na sequência do post de Sábado último, acerca do movimento UPA - Unidos para Ajudar, da Associação Encontrar+se, mais um vídeo, do ano passado, possivelmente esquecido nos arquivos empoeirados das televisões. Publicidade, como dizem, Institucional versus publicidade institucionalizada.

Mas brilhante.

Segundo a
Organização Mundial de Saúde (OMS) , depressão é uma doença mental que se caracteriza por tristeza mais marcada ou prolongada, perda de interesse por actividades habitualmente sentidas como agradáveis e perda de energia ou cansaço fácil.

Em todo o mundo, segundo
dados dessa Organização, existem 121 milhões de pessoas com depressão. A depressão afecta, em Portugal, segundo dados do Ministério da Saúde, cerca de 20% da população.

Relativamente às pessoas com deficiência, de um ponto de vista acurado, poucos são os dados concretos da incidência deste factor. No entanto, adivinha-se que os resultados não sejam propriamente animadores.

video: youtube.com

fonte: OMS, Ministério da Saúde


12 de fevereiro de 2008

Em 2006, a Comissão Europeia promoveu a iniciativa de lançar um Livro Verde sobre os Transportes Urbanos. A consulta pública acerca desta iniciativa, segundo o Instituto Nacional de Reabilitação, começou em 2007. Foi, ainda segundo este Instituto, ampla. Realizaram-se duas conferências, quatro workshops e uma consulta pública pela internet.

No sentido de uma mobilidade urbana melhor e sustentável, foram traçadas as vias fundamentais do Livro Verde sobre os Transportes Urbanos. O público-alvo são, por exemplo, os utilizadores de transportes urbanos (!) e associações.

Agora, a consulta pública pode ser continuada por contacto com a Comissão Europeia, até ao dia 15 de Março de 2008. Os endereços, postal e electrónico, para onde podem ser enviadas propostas é

Comissão Europeia
Direcção -Geral da Energia e dos Transportes
Clean Transport and Urban Transport Unit
(DM28 02/64)
200, rue de la Loi
B-1049 Bruxelles

E-mail:
tren-urbantransport@ec.europa.eu

A minha proposta, posso dizê-lo, será relativamente simples: tornar, aqui onde vamos pernoitando, os transportes públicos acessíveis a pessoas com deficiência e mobilidade reduzida.

E a sua?

fonte: INR

11 de fevereiro de 2008


Temos uma ideia acerca daquilo que são ortóteses e do que representam no imaginário infantil e juvenil das pessoas com deficiência: uma sombra no destino, especialmente no que toca a possíveis relacionamentos. No nosso inconsciente, sempre preocupado, despir aquilo demorará uns dias, tempo suficiente para acabar com uma relação que, entretanto, nunca mais começa.

Quando o médico nos fala em ortóteses longas, a situação piora drasticamente, como se a vida se escoasse por aquela sentença clínica.

O Departamento de Ortopedia Cirúrgica da Universidade de Heidelberg, na Alemanha, não acabou com este pesadelo (por vezes, mesmo necessário). Pessoas com Spina Bifida e com mobilidade consideravelmente reduzida participaram num estudo, levado a cabo por investigadores desse centro, cujo objectivo era testar a capacidade, de forma geral, de ortóteses longas feitas em fibra de carbono, substancialmente mais leves mas, de outro modo, de igual resistência à das clássicas ortóteses longas, de fivelas de couro castanho amarelado e ferro frio.

Em Portugal, é impensável pensarmos muito nestas coisas e, porque não dizê-lo?, quase utópico vê-las disponíveis enquanto ajudas técnicas. Se com as clássicas ortóteses se sabe como é...

Mas vale sempre a pena sonhar. Sem aparente necessidade de fivelas e metal pesado, a maleabilidade destas ortóteses é suficiente para corrigir a postura e ajudar à mobilidade de algumas pessoas (devidamente analisada, do ponto de vista clínico, a necessidade do uso destas coisas).

A foto não é a das melhores (há muito ainda por testar), mas dá, penso, uma ideia do que falo.

9 de fevereiro de 2008



A Associação "Encontrar+se" é uma Instituição particular de solidariedade social, de utilidade pública e sem fins lucrativos, que tem por objectivo a disseminação da discriminação social, a investigação e a reabilitação, tanto quanto possível, das pessoas com perturbações mentais graves.

Desta associação de pessoas e ideias, para além de terem já sido criados vários videos promocionais da instituição, nasceu um movimento - o movimento UPA Unidos Para Ajudar - que reuniu vários artistas nacionais que, mensalmente, lançarão um tema, disponível, a seu tempo, para download no site da Encontar+se.

Os primeiros foram os Xutos (os enormes Xutos!) com os Oioai, uma banda nova.

Mais virão.

segundos dados da Direcção Geral de Saúde, e tendo como fonte o site da instituição, estima-se que, em 2004, 30% da população geral sofria de perturbação psiquiátrica e 12% de perturbação psiquiátrica grave. E se isto não dá que pensar, devemos todos estar mortos...

video: youtube.com
fonte:associação encontrar+se

8 de fevereiro de 2008


Magdalena Carmen Frida kahlo y Calderón dispensa apresentações. Mexicana de origem, gostava de afirmar que a sua arte era o reflexo da sua vida, numa época – primeira metade do séc. XX - em que o hábito complicado (ainda hoje inacabado) de rotular a expressão das coisas e das pessoas teimosamente persistia.

Entre o desamor, a poliomielite, o acidente que a prendeu a um espartilho metálico, a impossibilidade de gerar filhos e a expressão vincada da incerteza sobre a sua própria vida, algumas descrições biográficas da artista referem a possibilidade de ter tido Spina Bifida. De certa forma, muitíssimo remota, sei, eu próprio, que tinha...

Frida Tinha um diário. A última nota no caderno dizia, ora grito ora gemido ora doce
Espero que la salida sea gozosa y espero nunca más volver. – Frida
Vem-me à memória uma praia, alguns pedaços de madeira em brasa e a lembrança e-terna de Vergílio Ferreira quando, em “Pensar”, a minha segunda Bíblia, referia como é que há gente que, à hora do morte, tem estas frases estupidamente belas...

fonte/imagem: ticcia.com (que vivamente recomendo...)

7 de fevereiro de 2008


Faço desporto adaptado (que é com quem diz desporto adaptado a pessoas com deficiência) desde 1987, embora conheça pessoas que o façam há muito mais tempo. Sei como é difícil (por vezes, penosa) a carreira de um atleta amador; desde subir quilómetros de montes e vales em cadeiras de hospital até comparecer a jogos de determinada modalidade cancelados por falta de comparência (normalmente, por razões financeiras) por parte dos colegas ou dos adversários, tudo é possível. Tudo foi, infelizmente, sendo aceite, politicamente aceite, em todas as acepções do que o termo politicamente possa plenamente querer dizer.

É difícil mas, por todas as razões do mundo, é gratificante. É, apesar de tudo, uma forma de inclusão.

Há quem trabalhe horas e horas e horas a fio, dias, meses, até anos inteiros para conseguir as marcas olímpicas e, na sua perspectiva, atingir o apogeu: participar nos jogos paralímpicos.

Este ano, sempre em passo acertado com os jogos olímpicos – no tempo e no modo -, irão realizar-se os jogos paralímpicos. Irão participar nestes jogos um número imenso de atletas (em 2004, em Atenas, foram 3086, de 136 países) que deram o seu melhor durante muito tempo e escorreram já muito litros de suor para atingirem as almejadas marcas de passagem.

Mas este jogos ficarão para sempre manchados, na memória dos mais atentos, pelo local em que se irão realizar: Pequim, na República Popular da China, onde os atropelos à dignidade humana e à liberdade das pessoas com e sem deficiência persistem e, em aproximação à realização destes eventos, os próprios atropelos à liberdade se atropelam, se acotovelam, persistem, abundam, crescem, numa tentativa (provavelmente, bem conseguida) de, por uns mediáticos dias, disfarçar o indisfarçável.

Não que Roma (onde tudo começou), Tóquio, Tel Aviv, Heidelberg, Toronto, Stoke Mandeville, Nova Iorque, Seul, Barcelona, Sydney ou Atenas sejam lugares celestiais. Não são. Mas Tóquio também não é.

A human Rights Watch, um entidade independente que luta pela preservação dos direitos humanos no mundo inteiro diz, na voz da sua representante para a Ásia, qualquer coisa como: “A repressão vai crescer até a abertura dos Jogos caso os governos estrangeiros, o Comité Olímpico Internacional (COI) e os comités olímpicos nacionais não advirtam a China de que estas violações põem em perigo o sucesso do evento em agosto”.

Há que lutar.


Aos atletas: há talvez que lutar para fazer um esforço ainda maior que o próprio esforço – um esforço de respeito pelo próximo que é o esforço de não fazer esforço nenhum.


6 de fevereiro de 2008


sexta-feira, 1 de Fevereiro de 2008, 23 horas, 58 minutos, 42 segundos. cumplicidades. um carnaval. ou o que fica por detrás da foto, decimal, solto num momento pelo escape do carro dos pais, que o levaram de fim-de-semana.
volta depois. é meu amigo.

4 de fevereiro de 2008


O nome do estudo já diz bastante: Enorme redução de prematuros entre mulheres que tomam ácido fólico desde um ano antes da concepção.

Os resultados desta pesquisa, elaborada por um grupo de cientistas do campus em Galveston da Universidade do Texas (líder científico indiscutível na pequisa relacionada com defeitos do tubo neural), foram divulgados no 28º Encontro Anual da Sociedade de Medicina Fetal e Maternal, nos Estados Unidos da América.

Já é facto que a toma de ácido fólico por parte de futuras mães (e, segundo alguns investigadores, futuros pais) nas quantidades e tempos recomendados pelos médicos assistentes reduz, em medida considerável, o aparecimento de casos de Spina Bifida e outras complicações associadas. O que ainda não se sabia é que a toma desta vitamina do grupo B, o ácido fólico, de acordo com esta investigação e mediante o tipo de idade, etnia e outros factores associados ao casal, reduz, entre 50 a 70%, nascimentos prematuros.

Os bebés prematuros, para além de necessitarem de cuidados médicos muito especiais nos primeiros meses de vida, podem, genericamente, desenvolver, entre outras, complicações clínicas do foro psíquico, cardíaco ou pulmonar.

Sendo assim, o acrescento sólido de benefícios à toma de ácido fólico por parte dos futuros pais e mães beneficia claramente a redução de casos de Spina Bifida nos países em que esta medida de prevenção for devidamente divulgada e implementada.

Este estudo é a primeira e a mais extensa investigação desenvolvida alguma vez nos Estados Unidos da América sobre a toma de ácido fólico e os seus efeitos relativamente aos partos prematuros.

A título de exemplo: foram 38.033 os participantes...


Fonte: sciencedaily.com
Imagem: wikimedia.org (adapt.)

1 de fevereiro de 2008


Pode escrever-se sobre mil e uma coisas, mas há coisas muito mais importantes que outras e que merecem, sem possibilidade alguma de discussão, ser reveladas. Ser gritadas.

No Haiti, país da região do Caribe, existiam, em 2006 e segundo dados do Banco Mundial, cerca 8,6 milhões de pessoas. Em 2005, a taxa de mortalidade infantil era de 8,3 em cada mil nados vivos com menos de um ano de idade e de 120 em cada mil nados vivos com menos de cinco anos de idade. Nesse mesmo ano, entre os 15 e os 49 anos – um ano a menos da esperança média de vida dos Haitianos, a taxa de prevalência de HIV situava-se nos 3,8%. Continuando, a título de curiosidade, quase mórbida: o tempo médio para se começar um negócio é de cerca de 203 dias.
Dados estatísticos sobre instrução primária, secundária ou outra: não existentes.

Charlene, 16 anos, mãe de um bebé com um mês, o Woodson, que nasceu com 2 quilos e pouco: Quando a minha mãe não cozinha nada, tenho que comê-las umas três vezes por dia. Mesmo assim, Agrada-me o sabor a manteiga e sal. Mas não sei, não sei, dão-me dores no estômago. Quando amamento e o bebé já as comeu, o bebé também me parece que fica com cólicas.

Cajeuñe, de 11 anos, mostra a língua, queimada por as comer quando tem que ser e que, por acaso, é quase sempre. Fico com a boca sequinha. Tira-me a fome.

São bolachas de LODO, confeccionadas com terra, sal e azeite vegetal, aquecidas nas terras tórridas daqueles solos e vendidas nas ruas.

No séc. XVII, o Haiti era a mais rica colónia francesa na América, graças ao café, ao açúcar e ao cacau. Hoje, é o País mais pobre da América Latina, onde, muito provavelmente, não se ouvirá falar, por exemplo, de Spina Bifida, de Hidrocefalia, de fortificação dos alimentos ou, quem sabe, de pessoas nos próximos três séculos.
imagem: esmas.com